“Sentia muita vergonha da cadeira… Hoje faço questão de mostrar que sou cadeirante!”

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01- Você utiliza a cadeira de rodas por qual motivo e a quanto tempo?

O que me levou a ficar na cadeira de rodas, foi um ex namorado que atirou em mim, não estávamos muito bem, acredito que por ciúmes. Nem sei explicar ao certo, pois no dia do ocorrido não teve discussões e estava de costas. Só senti um impacto muito forte e cai no chão, minhas pernas ficaram dormente na hora. Quando disparou em mim em seguida disparou nele mesmo, chegando a falecer. Quase que não resisti, mas Deus me deu uma nova oportunidade. Já são 4 anos de lesão.

02- Qual foi a sua reação após compreender a sua nova condição física?

Primeiro instante não aceitei de forma alguma, não queria nem ver uma cadeira de rodas na minha frente. Fiquei sem saber como seria a minha vida a partir daquele momento. Tranquei a faculdade, disse a meus pais que não voltaria a estudar. Não me via indo para a faculdade em uma cadeira de rodas, até então nunca tinha visto nenhum cadeirante na faculdade. Me sentia incapaz, e vergonha da minha nova condição.

03- Como era a sua rotina antes da lesão?

Minha rotina era bem corrida, trabalhava arrumando cabelos a domicílio, tinha várias clientes. Mal parava em casa. E na semana, todas as noites ia para a faculdade, que fica numa cidade próxima. Era um pouco festeira, gostava bastante de sair, todos os finais de semana saia com minhas amigas. Sempre saia, mais nunca gostei de bebidas alcoólicas.

04- O que foi mais difícil para você no inicio?

O mais difícil é não saber como lidar com a situação, e a dependência de tudo e de todos. Não poder fazer nada sozinha, era dependente da minha mãe. Como não aceitava a cadeira, ficava sentada numa de plástico, o que dificultava ainda mais. Fiquei um ano parada dentro de casa, só saia para consultas médicas ou para fazer fisioterapia.

Meus pais e um grande amigo me incentivaram muito para que eu retornasse aos meus estudos, tinha que concluir a faculdade. Me veio logo a cabeça. Como é que vou? Antes ia de ônibus, e não era adaptado. Mas tenho um pai maravilhoso que se jogou nessa jornada comigo e disse que me levava todos os dias. Decidi a voltar estudar para concluir meu curso, aceitei a cadeira de rodas. No início ainda tinha muita vergonha, nem gostava de tirar fotos com meus colegas por conta da cadeira. Mas voltei a estudar.

Minha vida mudou completamente quando fui para a rede de Hospitais Sarah de Fortaleza, passei um mês internada com minha mãe, não sabia fazer nada. Aprendi a fazer tudo, lá recuperei a minha independência, a minha auto estima. Hoje faço tudo sozinha, também faço tarefas da casa, e tudo graças ao Sarah, eles foram e é de grande importância na minha vida.

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Passando esse mês lá, voltei as aulas confiante e perdi completamente a vergonha da cadeira. Comecei a tirar fotos com meus colegas, era outra Daniela. E assim, foram três anos até concluir meu curso. E no dia 21/12/2015 o grande dia tinha chegado, a minha formatura. Onde meus esforços e o apoio da minha família foram essências para chegar onde cheguei. Agradecer ao meu pai, que apesar do cansaço nunca me deixou faltar um dia se quer de aula, não foi fácil mais venci as dificuldades. Não quero mas parar de estudar, comecei a fazer pós graduação, e daqui para frente só estudar mais e mais.

05- Qual é o seu maior sonho/meta neste momento?

Meu maior sonho é passar em um concurso público para alcançar uma estabilidade financeira. Enquanto isso não acontece, continuarei estudando. Para não ficar sem fazer nada em casa comecei a vender roupas e acessórios femininos, onde as vezes dou uma de modelo fotográfico. Nada profissional, as fotos são feitas em casa mesmo. Mais estou adorando a ideia.

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Kkkk Como já tinha falado,  sentia muita  vergonha da cadeira.  Hoje faço questão de tirar fotos, faço questão de mostrar que sou cadeirante.

06- Algumas pessoas desistem de viver quando se deparam com uma limitação física ou doença. O que te motiva a não desistir?

Aprendi que a vida é uma só, e se Deus me deu uma nova chance, é porque ele tem um propósito pra mim. Minha vida não acabou, posso fazer tudo, com algumas limitações mais posso. Aprendi a lutar e superar diante as dificuldades. Então vamos viver a vida e encarar ela de frente. Lamentações não adiantam.Temos que ir a luta!

07- Você já passou por algum momento preconceituoso, qual foi a sua reação?

Até o momento nunca passei por um momento preconceituoso.

08- Na sua opinião o que precisa mudar no Brasil, para a vida das pessoas com deficiência física possa melhorar?

Fazer valer as leis. E melhorar a acessibilidade, para termos o direito de ir e vir.

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