Entrevista com nossa amiga Paraguaia Lis Valiente

0
1455

 

Qual sua idade e cidade?

“ 23 anos, Campo Grande – MS.”

Qual motivo de você estar em uma cadeira de rodas?

“Tenho uma síndrome chamada Artroglipose e na hora do parto me quebraram da bacia pra baixo.”

Como assim, “te quebraram”?

“Na época em que eu nasci não existia médicos obstetras no Paraguai, você escolhia uma parteira no hospital e ela realizava o parto. Nessa eu nasci sentada, ela forçou um parto normal e me puxou, aí quebrou.”

Compreendo, então desde que você nasceu vive com sua amiga de rodinhas?

“Andei com aparelho até os 9 anos, depois optei ficar na cadeira quando vim pro Brasil.”

O que fez você optar a ficar usando direto a cadeira?

“Sofria muito preconceito e o aparelho me machucava muito, aí implorei pro meu médico para ficar na cadeira e ele deixou. Mesmo se eu quiser “andar” eu não posso porque atrofiei muito.”

Isso me faz confirmar que as pessoas querem sempre um motivo para ter preconceito, imagino eu que as “perseguições” eram pelo modo que você andava né!

E agora que você vive na cadeira essa “perseguições” acabaram?

“Isso! Até me bater, batiam. Sofri muito, hoje em dia não, muito difícil. Esses dias eu fiquei um pouco decepcionada, fui procurar estágio e não me contratam por causa da minha deficiência.”

Essas agressões aconteceram aqui no Brasil ou no seu país de origem?

“Sempre estudei no Brasil.”

Triste acontecer isso no País que tem de tudo um pouco!

Como foi sua adolescência e seu recomeço ou até mesmo o seu começo de uma vida no brasil?

“Foi normal! Namoradinhos, eu assustava os meninos porque era muito brava. Nunca tive problema de comunicação, sempre falei muito e o fato de eu ser louca chama atenção.”

Você vem de qual cidade do Paraguai?

“Pedro Juan Caballeiro – Paraguai.”

Faz um tempo que conheço você e sempre vejo você pra cima e super festeira.
Na sua adolescência você assustava os guris e hoje? Você ilude?

“HAUHAUHAU… Não iludo ninguém! Deixo claro minhas reais intenções! Sou honesta. Se ilude quem quer.”

E essa sua honestidade atrapalha na hora da paquera ou a cadeira atrapalha mais?

“Digamos que os homens tem um pouco de receio, eles pensam que eu sou alvo fácil ou que nunca beije, coisas desse tipo.”

Quais suas maiores dificuldades?

“Escadas e lugares não adaptados.”

Mesmo com tantos obstáculos… Como é seu dia a dia, hoje?

“É tranquilo, eu me viro bem com as dificuldades. Quando tem escadas o povo ajuda, calçadas quebradas e só empinar a cadeira, banheiros pequenos alguém cuida a cadeira e eu vou até o vaso.”

Você é uma das minhas amigas que se amam e não tem nem um pingo de vergonha de sair, abusar das roupas e dos atributos, alem das virtudes… o que você tem a dizer para as gurias que não gostam de seus reflexos?

“Penso assim! Você tem que se amar e se aceitar do jeito que você é, a partir do momento que você se ama e se aceita, você percebe que o mundo te enxerga de outro jeito.”

Concordo! Você tem alguma música, frase ou pessoa que é essencial para você seguir em frente?

“Uma vida sem amor e uma vida sem sentindo.”
Música: Bob Marley-Don’t worry be happy

Depois desta entrevista, muitas pessoas vão querer seu facebook e seu coração, o que tem para falar a elas?

Só que eles são uns lindos.”

Muito obrigado Lis por compartilhar sua vida com a galera do blog!