Jogos Eletrônicos: De acordo com pesquisas podem ser a mais nova terapia complementar.

0
1576

A aplicação do videogame à terapia iniciou-se em 2008, no Canadá, e aos poucos foi sendo aplicado a outros países, inclusive no Brasil. Diversos estudos relatam melhoras com o uso do console Wii aplicado à terapia, tanto no desempenho físico como no aumento da adesão do paciente à sessão.

A Nintendo através do console Nintendo WII, adaptando o game Wii Sports para cadeirantes. O novo jogo chamado Sportbilliis, foi desenvolvido especialmente para pessoas que utilizam cadeiras de rodas. No game os usuários praticam esportes de igual para igual com os demais jogadores. Mais um exemplo da inclusão e contra a descriminação da pessoa com deficiência.

rp_1376602_10153334108670403_1072827395_n.jpg

Esse jogo não existe! É apenas um vídeo feito por uma associação europeia. Se não me engano, holandesa. Uma pena…

O  Wii tem sido usado por clínicas de reabilitação para recuperação de coordenação motora, entre outras coisas.

Os distúrbios de movimento são comuns em grande parte da população mundial por diversas causas, desde patologias congênitas às adquiridas. Tais distúrbios acarretam em dificuldade de promoção das atividades de vida diária (AVDs) como locomoção, segurar objetos, alimentação, higiene pessoal etc. e dependem de amplo acompanhamento de profissionais da área da saúde, dentre eles o fisioterapeuta, que após avaliação minuciosa da doença e suas implicações pode traçar o tratamento adequado.

Devido à complexidade de tais patologias, o período de tratamento pode ser longo e a pouca motivação gerada pelos métodos tradicionais é apontada como motivo de abandono do tratamento fisioterápico, caracterizando-se como uma das principais causas de falha terapêutica.

Com isso, estudos atuais associam ao tratamento tradicional à utilização de videogames, como o console Wii da Nintendo® às sessões, com o objetivo de proporcionar um componente motivacional aos pacientes, obtendo assim melhora na resposta do tratamento proposto, pois promove o entretenimento e, em combinação com a realização correta dos movimentos exigidos pelo jogo (previamente selecionados pelo profissional de acordo com cada tipo de necessidade) auxilia o processo de reabilitação.

Um trabalho apresentado no VIII Brazilian Symposium on Games and Digital Entertainment, em outubro de 2009, apresenta que o lúdico insere-se como componente motivador, proporcionando um ambiente propício para a reabilitação (DIAS, 2009).

Uma pesquisa realizada com 20 pacientes portadores da doença de Parkinson apresentou melhora da rigidez, movimento e habilidades motoras, além de aumentar os níveis de energia e diminuir a ocorrência de depressão.

Outro estudo publicado este ano aborda o uso do videogame no tratamento de um paciente com distúrbio cerebelar, apresentando melhora do equilíbrio e realização de suas tarefas diárias (SCHIAVINATO et al, 2010). Portanto, com base nos levantamentos realizados, conclui-se que o tratamento associado ao Nintendo® Wii traz benefícios à prática fisioterapêutica, pois além de treinar o físico dos pacientes, a realidade virtual agrega maior assiduidade e componente atrativo à sessão e, consequentemente, melhoras ao paciente.

Há pouco mais de dois meses, Betoven 48 anos cadeirante devido a uma lesão medular, causada em um acidente há 28 anos, encontrou novo aliado para a sua reabilitação: o videogame interativo. Quando joga tênis no Nintendo Wii, destempera e se remexe todo na cadeira. Não sente dor. Nenhuma. Bravos hormônios do prazer. Dopamina, endorfina, serotonina segregados ao som mecânico das músicas-fundo do game. “Os resultados da dopamina segregada na base do cérebro são ainda mais promissores. Este hormônio, neste local específico, funciona como neuroestimulante e ajuda a condução nervosa do paciente a burlar as falhas provocadas pela lesão medular e a recuperar movimentos”, complementa a fisioterapeuta. Por isso, Betoven hoje digita (devagar, devagar), apenas dois meses depois de incluir Wii à rotina terapêutica. Antes, a atividade diária era realizada com auxílio daquelas borrachas acopláveis ao lápis. São três sessões semanais, duas na piscina (para movimentar o comprometimento integral das pernas), uma com Wii (para rebolar-se todo na cadeira com a língua entre os dentes e suar, como há muito não acontecia).

O uso do jogo eletrônico interativo é acessório à fisioterapia clínica, mas não a substitui. E ainda passa por pesquisas para comprovação científica de sua eficácia, muito embora as expectativas dos profissionais envolvidos sejam bastante altas.

A ciência precisa de números, por isso vamos aplicar o método num número maior de pacientes e monitorar resultados. Mas os relatos de quem foi tratado por terapias experimentais com Wii são muito estimulantes. Além de mais prazeroso, o videogame pode ser mais rápido em trazer avanços à condição do paciente”, pontua o fisioterapeuta e co-autor do projeto de pesquisa voltado para o Wii na Universidade de São Paulo, Pedro Cláudio Gonsales.

Acidente Vascular Encefálico, lesão medular, algumas recuperações pós-operatórias, fraturas e torções ósseas são dos quadros clínicos passíveis de serem beneficiados pela terapia complementar. Para quem é tido como vilão inconteste da juventude transviada, antissocial ou violenta, o jogo eletrônico avança a passos largos para mudar a fama de mau.

Os dias de banditismo do videogame podem estar contados. Fisioterapeutas descobrem usos benéficos do artefato para os mais variados pacientes. Desde Acidentes Vasculares Encefálicos até tendões lesionados, a gama de possíveis beneficiados com o método é ampliado pelas novas pesquisas sobre o assunto.

Adaptações de texto: Fernando Medeiros

Fonte: O Povo

Imagens e vídeo: Google e Youtube.

Curtam >>>> Deficiente Sim, Superar Sempre / Amigos Cadeirantes.

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui